quarta-feira, 5 de novembro de 2008

American Food




Estou adorando a gorda dieta americana. Brincadeirinha, não é tão gorda assim. Claro que se alguém quiser comer hamburguer com fritas e pizza todos os dias no almoço e no jantar, há esta opção, mas também existem muitas saladas cruas e alguns legumes cozidos. No café da manhã, estou viciada neste leitinho maravilhoso com chocolate acima (just $0,85 a quart), juntamente com um baguel (uma espécie de donut salgado) recheado com algum queijo. Falando em preço, como as coisas aqui são caras! Um pacote de pão de forma, que comprei para o fim de semana, custou-me $4,20. Em câmbio atual dá uns 9 reais!
Em compensação comprei um shampoo maravilhoso para cabelos loiros que no Brasil custa 49 reais e aqui paguei 6 dólares. Really nice!
Também vi nas prateleiras vários sabores de Mint Milano (realmente parecem deliciosas Zé!) mas estava meio sem liquidez (como diz Vitchão) e não comprei.
O que comprei foi uma água muito linda ($4 o litro!) e leve, cujo rótulo guardei para coleção da Jaque.
Ainda não achei a pasta de amendoim que o House come, mas ainda chego lá...

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Zip Lock

01 de novembro de 2008. 21:15

Estou no aeroporto de Guarulhos desde as 16 horas. Foi bom chegar cedo.
O check in demorou horrores. A fila começou a ser formar às 17h30min, já
que o guichê da Delta era esperado para abrir as 18 horas. Estava entre
as 10 primeiras da fila. A porcaria só abriu às 19hs. Olhando para trás,
nem conseguia ver o final da fila. Moral da história: sempre chegue cedo.

A Delta fica na Asa A do aeroporto, de frente para a United Airlines.
Daqui uma meia hora vou para área de embarque, já que o vôo deve sair às
22:50.

Estou com sono.

Ah, para justificar o título: sabe “zip lock”, aquele plastiquinho cuja
parte superior você aperta e ele fecha, e que foi originalmente criado
para guardar alimentos crus no freezer?

Pois então... estes benditos saquinhos são OBRIGATÓRIOS para envolver
itens da bagagem de mão como escova e pasta de dentes, hidratante,
batom... e claro, nenhum produto pode ter volume maior que 100 mL.

Acho que eu já disse isso antes, mas... estou com sono.

Parte 2: Memórias de Vôo. Horário indeterminado (fuso horário é uma
coisa de doido!)

Você se lembra quando eu disse “sempre chegue cedo”? Pois é SEMPRE
mesmo! Se o início do horário de embarque estiver marcado para as
21h30min, chegue antes, e não 15 minutos depois como eu fiz, sob pena de
ficar a uns 10 mil metros de distância do início da fila. O interessante
deste tipo de fila é que, assim como o vôo, ela é internacional.
Deliciei-me assistindo alemães, japoneses, ingleses e americanos
reclamando da fila. Na verdade, não tenho certeza se os japoneses
estavam reclamando...

Avião internacional é uma maravilha. Não sacode no trajeto nem dá aquela
aflição em curvas acentuadas, já que ele é imenso e na maioria das vezes
você tem a sensação de estar parado. O trajeto SP-Atlanta foi tranqüilo.
Quase 10 horas de vôo a 850 km/h e -59ºC de temperatura externa. E com
jantar e café da manhã! E com um comissário de bordo americano fluente
em português e japonês, e – tenho quase certeza – era o Hiro, aquele
japinha ultra simpático e bonzinho do seriado Heroes.

Em Atlanta, tomei meu primeiro café da manhã americano: ovos mexidos,
uma espécie de pãozinho de leite, e um molho muito bom feito sei lá de
quê e com nome “gravy”. Também tomei café num copão, ou melhor, chafé.
Eu gosto de café suave, mas olha... aqui eles abusam... acho que é para
a pessoa não morrer intoxicada de cafeína, já que o copo é imenso. Um
americano pediu para sentar-se em minha mesa, e como eu estava de boca
cheia, respondi apenas hm-hm. Procurei manter meu aparato mastigatório
devidamente ocupado o tempo todo, pois o tio não parava de conversar
(ele disse que já esteve no Brasil), e eu estava pouco à vontade. Assim,
pude ser educadamente monossilábica.

O melhor de Atlanta são os negros. E são muitos. E são muito bem
alimentados. E falam daquele jeito cantado do sul dos EUA, nossa, que
coisa linda! “Gooood morning maaam... What can I do for you todaaay?...
No meat baaaby?” Adorei!

O vôo Atlanta-Seattle foi num avião menor, e portanto horrível. Quase
joguei fora meu café da manhã. E não comi nada durante o vôo, pois tinha
que pagar. Só tomei um suco quando percebi que era grátis. O tchongo do
piloto pisou demais no acelerador e chegou 10 minutos antes. Mas só
poderia descer no horário. Ou seja, dá-lhe ficar dando voltinhas, em
círculos tão pequenos que me senti naquelas brincadeiras de criança, em
que rodamos sobre o próprio eixo até cair. Foi punk!

Parte 3: ida para Olympia (na hora do almoço: fuso horário com 6 horas a
menos que em Ribeirão Preto)

O campus do Evergreen State College em Olympia, capital do estado de
Washington, é enorme (acho que dá mais de 10 campus da USP-RP), e lindo!
Caminha-se por entre árvores o tempo todo, e não só apenas árvores
verdes. Aqui as árvores são também amarelas, marrons e vermelhas! Dá
vontade de chorar de tão deslumbrante que isso é!

Aliás, preciso arrumar uma máquina fotográfica urgente, pois o ciclo
verde-amarelo-marrom-vermelha-puff-sumiu-tudo está em franco e rápido
andamento.

domingo, 12 de outubro de 2008

Adoro poesia

Estava me lembrando agora de quando declamei "Mal Secreto", de Raimundo Correa, na escola. Tinha uns 11, 12 anos de idade. Minha voz tremia, mas mative até o fim a entonação emocionada que havia ensaiado durante dias a fio com meu pai.
Todos no pátio me olhavam como se eu fosse uma extraterrestre... magrinha, calça jeans larga com a cintura no tórax, óculos John Lennon, cabelo escorrido, aparelho ortodôntico enorme... o supra-sumo da timidez.
Até hoje não sei se declamei certo... deveria parar ao final de cada verso respeitando a rima ou parar na pontuação do autor, respeitando o sentido da frase?
Lá vai, ainda de cor:

"Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse o espírito que chora
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!

Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja a ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!"