quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Dissonância cognitiva



A raposa e as uvas, ilustrado por Milo Winter (1919)

A Raposa e as Uvas

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

A Raposa e as Uvas é uma fábula atribuída a Esopo, que foi reescrita por Jean de La Fontaine. Com pequenas variações, é basicamente a história de uma raposa que tenta, sem sucesso, comer um cacho de convidativas uvas penduradas em uma vinha alta. Não conseguindo, afasta-se, dizendo que as uvas estariam verdes. Muitas vezes por comodismo e por não querer obter, criando desculpas e justificativas enfadonhas. A moral afirmada no final da fábula é algo como:
É fácil desprezar aquilo que não se pode obter
Na Língua inglesa, a expressão "azedar uvas" - derivada dessa fábula - refere-se à negação de um desejo por algo que não se adquire facilmente ou à pessoa que detém essa recusa. Expressões similiares existem em outros idiomas, como na expressão persa: "O gato que não pode alcançar a carne diz 'isso fede'!" A expressão também está presente nos países escandinavos, onde o termo 'azedar uvas' foi substituído por 'azedar sorvas' pelo fato de as uvas não serem comuns em latitudes setentrionais. Na psicologia, este comportamento é conhecido como racionalização (embora seja mais conhecido como redução da Dissonância cognitiva).
No discurso coloquial, a expressão do idioma é aplicada a alguém que perde e não consegue fazê-lo graciosamente. Estritamente falando, deve ser aplicado a alguém que, após a perda, nega a intenção de ganhar por completo. A expressão "Ah, mas são verdes" é utilizada em Portugal quando isto acontece. O provérbio português "quem desdenha quer comprar" é comumente associado a esta fábula.

A fábula

Uma raposa que vinha pela estrada encontrou uma parreira com uvas madurinhas. Passou horas pulando tentando pegá-las, mas sem sucesso algum... Saiu murmurando, dizendo que não as queria mesmo, porque estavam verdes. Quando já estava indo, um pouco mais à frente, escutou um barulho como se alguma coisa tivesse caído no chão... voltou correndo pensando ser as uvas, mas quando chegou lá, para sua decepção, era apenas uma folha que havia caído da parreira. A raposa decepcionada virou as costas e foi-se embora de novo como um ar importante.

Moral

  • Aqueles que são incapazes de atingir uma meta tendem a depreciá-la, para diminuir o peso de seu insucesso.
A dissonância cognitiva é uma teoria da Psicologia elaborado por Festinger e colaboradores em 1956. A teoria diz que é psicologicamente desconfortável para o ser humano conciliar duas experiências cognitivas (percepções; conhecimentos) contraditórias. Isso leva o indivíduo a mudar sua percepção, atitude e/ou comportamento.
Experiências cognitivas contraditórias acontecem em nossas vidas o tempo todo. Por exemplo, você comprou um carro ou roupa nova e percebe que pagou muito caro pelo item. A fim de evitar o desconforto causado pela contradição entre o prazer da aquisição e a sensação de ter sido feito de bobo e pago além do valor real do item, você imediatamente diz para si mesmo (e para os outros também, assim que tiver oportunidade): "Sim, paguei caro, mas este item é de muito melhor qualidade". Pronto, essa justificativa, que pode ser verdadeira ou não, já o deixa mais calmo. A aquisição de uma nova crença ou percepção é uma das 3 formas de minimizar a incômoda dissonância cognitiva.
Vamos a outro exemplo: você tem um relacionamento amoroso com alguém. Num dado momento, você flerta com outro(a) ou trai seu companheiro(a). O que você pensa? "Eu traí meu companheiro(a) porque sinto que ele(a) não me ama"; ou "Foi só sexo, não significou nada para mim"; ou "Meu companheiro(a) não vai nem ficar sabendo, não foi nada de mais"; ou "Isso não aconteceu". Jogar a culpa em outra pessoa, procurar atenuar a importância do fato ou fingir que não aconteceu é a segunda forma de minimizar a dissonância cognitiva.

Aqui cabe uma pausa. O objetivo deste texto é discutir um evento psicológico, a dissonância cognitiva. Os exemplos utilizados podem refletir minha opinião, mas são basicamente universais. Eu acho uma atitude burra pagar caro demais por qualquer item material e tenho certeza que qualquer pessoa (exceto as alienadas mentalmente ou que não sabem atribuir valor real às coisas) também pensa assim. O que muda é a justificativa (Sou rico, posso comprar, quero mostrar que posso, é melhor, é mais durável, etc...). Sobre o  relacionamento amoroso utilizado como segundo exemplo, que pode ter feito os moderninhos adeptos de relações abertas revirarem os olhos com o conservadorismo da minha abordagem, basta uma troca simples: em qualquer tipo de relacionamento (acadêmico, amizade, negócios) uma traição resulta em desconforto psicológico (dissonância cognitiva). Todo ser humano sente isso, com exceção dos indivíduos acometidos por distúrbios psiquiátricos graves, psicopatas ou com lesão no córtex cingulado anterior. Ou seja, se você fizer algo sabendo que isso deixará um amigo magoado, se trabalha para a firma X e vende um segredo industrial para a firma concorrente Y, sua postura mental será a mesma do exemplo de relacionamento amoroso usado acima: jogar a culpa em outra pessoa, procurar atenuar a importância do fato ou fingir que não aconteceu. São estratégias mentais que efetivamente ocorrem. Aqui foram utilizadas em exemplos de dissonância cognitiva que emergiram após um julgamento/ação negativo ou errado.

Como último exemplo, vamos trabalhar o ponto de forma inversa: a terceira e última forma de driblar situações de dissonância cognitiva é particularmente útil, e pode ser positiva, embora também possa ser instrumento de manipulação. A terceira forma se dá através da mudança de crença, opinião e comportamento. Crença, opinião e comportamento estão intimamente relacionados. Isso significa que uma mudança em qualquer um deles leva a uma mudança nos demais. Vou repetir, pois isso é extremamente importante: a modificação em QUALQUER um deles leva a uma mudança em TODOS os demais. Quer ver como isso funciona?
Imagine que você trabalha com um grupo de pessoas. Certo dia, você vai fazer uma visita a um outro grupo. Neste outro grupo, você é muito bem tratado e é bombardeado com milhares de informações novas e maravilhosas sobre como aquele grupo é especial, sobre como eles tem um plano de trabalho fácil, sobre como as condições de trabalho são uma beleza. Pode até ser que tudo isso no outro grupo seja só fachada, mas você não tem como saber e subitamente sua opinião sobre seu próprio grupo de trabalho muda. Pronto, aparece em você uma dissonância cognitiva. Como já sabemos que ninguém fica em dissonância cognitiva, você: muda de grupo (podendo ou não se arrepender depois) o que implicará uma gradual mudança de comportamento e do que você acredita; ou continua no seu grupo, mas para não se sentir infeliz começa a empregar consideráveis esforços para melhorá-lo (mudança de comportamento). Você volta a sentir feliz e confortável (mudança de crença).
No contexto religioso, é muito comum a utilização de pontos modificadores de comportamento, que facilitam enormemente a conversão de novatos. Alguns exemplos de sucesso: obrigação de rezar 5 vezes por dia em determinada posição; sentar-se e levantar-se várias vezes durante o culto, entoando frases específicas em grupo; cantar e bater palmas durante o culto; balançar o corpo ou adotar posições específicas por períodos prolongados e/ou diários; entoar cânticos ou sons vocálicos todos os dias; proibição de alimentos ou vestes específicas por motivos divinos. Todas estas mudanças expressivas de hábitos/comportamentos que um novato obrigatoriamente precisa seguir a fim de ser aceito como membro, são instrumentos infalíveis de conversão, que obviamente resultam em profunda alteração de opinião e crença. Note que muitas vezes o novato dá início às mudanças de comportamento de forma inocente, inconsciente e automatizada, o que leva não apenas a mudança de opinião e crença, mas à devoção cega. Estas técnicas (entre outras 95 possíveis) foram/são utilizadas por líderes de seita como Jim Jones, Reverendo Moon, Marian Keech, Ron Hubbard, A.C.B. Swami Prabhupada, Chuck Dederich, Werner Erhard, e por outros tantos enganadores, inclusive brasileiros - vide a abundância de seitas bizarras neste país... creio que só não existem ainda registros de suicídio coletivo pois os pastores não querem perder suas fontes de dinheiro fácil.
Embora a terceira forma de lidar com dissonâncias cognitivas possa ser um instrumento de manipulação em potencial, saber que isso existe e como funciona também pode ter aplicações positivas, como na melhora de comportamento. Estar ciente de que a mente e o corpo respondem bem a condicionamentos nos dá a oportunidade de escolher que tipo de auto-treinamento e resultado queremos para nossas vidas.
Como a dissonância só surge quando fazemos algo estúpido para alcançar um desejo, a moral da estória é clara: pense antes de fazer e tenha bons objetivos.

terça-feira, 12 de julho de 2011

É possível regredir de fase?

Sim, é possível.
Mas como assim, a evolução não é tida como uma regra geral biológica e espiritual?
Vamos à raiz da palavra "evolução": de acordo com o dicionário Michaelis, sf (lat evolutione) 1 Ato ou efeito de evoluir. 2 Progresso paulatino e contínuo a partir de um estado inferior ou simples para um superior, mais complexo ou melhor.
Ou seja, se não é constante, não é evolução.
E o antônimo de evolução é exatamente estase, estagnação, entorpecimento. Significa que não fazer nada, ficar parado, não ser ativo, isso faz você andar para trás, regredir.
Por exemplo, você imaginou que estava na Fase 3, que conseguia elaborar frases bem razoáveis em aramaico, e isso lhe enchia de orgulho e satisfação. Mas distrações apareceram, seu ânimo oscilou, você parou de estudar ou se atualizar, e não conseguiu achar entre os seus conhecidos nenhuma vivalma com quem você pudesse efetivamente conversar em aramaico. Sua preguiça e desculpas esfarrapadas o levarão de forma certeira de volta a Fase 2: competência baixa e entusiasmo baixo.
Quem é o responsável por isso? Você.
Quem pode fazer algo a respeito? Você.

Como mencionado no texto anterior, a progressão pelas Fases depende exclusivamente da sua capacidade de constantemente alimentar seus sentimentos e conhecimentos relacionados ao Objetivo, Tarefa, Habilidade ou Relacionamento que você deseja manter.
Alguns artifícios podem ser de grande ajuda. Primeiramente, é preciso que você consiga diagnosticar com precisão em que Fase determinado aspecto de sua vida se encontra. Sim, porque itens diferentes podem se enquadrar em Fases diferentes. Por exemplo, no meu caso, sei que estou na Fase 1 para "exercícios físicos", na Fase 2 para "análise de expressão gênica diferencial", na Fase 3 para "escrita de artigos científicos", e na Fase 4 para "neuroanatomia da formação hipocampal".

Como obter sucesso e progredir?
Quando a habilidade/competência na questão é baixa, é importante obter direcionamento. Com ajuda de alguém, de livros ou de sua vontade, você precisa:

  1. Estabelecer um objetivo claro;
  2. Saber como atingir o objetivo/habilidade;
  3. Esquematizar um plano de ação;
  4. Saber com clareza o papel de cada um (caso a questão envolva outras pessoas, como em situações de trabalho em grupo ou casais);
  5. Estabelecer prazos;
  6. Estabelecer prioridades;
  7. Monitorar continuamente a tarefa.
Quando o comprometimento/entusiasmo é baixo, é importante obter suporte. Esta etapa requer interação social, seja com seu par ou grupo de trabalho, embora alguns pontos possam ser resolvidos por esforço próprio ou com apoio de bibliografia apropriada. Você precisa:

  1. De alguém que te ouça, incentive e encoraje;
  2. De algo ou alguém que facilite a resolução de problemas específicos que podem surgir no caminho;
  3. De algo ou alguém capaz de fazê-lo lembrar do motivo pelo qual você quer atingir seu objetivo (isso pode parecer bobo e irrelevante, mas é comum perdermos o foco em momentos de desânimo);
  4. De algo ou alguém para compartilhar informações sobre o objetivo (conversar, escrever e ler sobre outras experiências e outras formas de resolver tarefas pode trazer mais clareza sobre como atingir seu objetivo); 
  5. De lembrar-se sempre: colaborar é uma das chaves para o sucesso.
Embora o suporte pareça depender de outras pessoas, obtê-lo é inteiramente sua responsabilidade. Não espere que alguém bata à sua porta e diga: "Oi, eu vim aqui para apoiar e incentivar você. Como eu sou adivinho, sei exatamente do que você precisa. Minha família toda fala aramaico e eu gostaria de convidar você para viajar conosco com tudo pago por toda a região da antiga Judéia e Babilônia".
Pois é, isso não existe. Ninguém lê pensamentos e só você pode saber do que você precisa. Portanto comunique-se. E tenha sempre o cuidado de falar de maneira gentil e precisa.


Good communication is as stimulating as black coffee and just as hard to sleep after. (A. M. Lindbergh, in 'Gift From the Sea')

quarta-feira, 29 de junho de 2011

"Como atingir objetivos" ou "Como as coisas evoluem" ou "O continuum de qualquer aprendizado, relação ou desenvolvimento"


Ando lendo algumas coisas bem interessantes por estes dias. Uma delas pareceu-me particularmente útil e está relacionada com o título acima. É uma espécie de regra geral.
Vale para relacionamentos amorosos? Sim. Vale para relacionamentos de amizade? Sim. Vale para quando você começa a aprender qualquer coisa nova? Sim. Vale para quando você quer atingir um objetivo? Sim. Vale para quando você quer desenvolver uma habilidade específica? Sim.
Impressionante, certo? Sim! Praticamente tudo no Universo conhecido pode ser estruturado em 5 fases. Vamos a elas.

Fase 1: Competência Baixa; Entusiasmo Alto. Ahh, os primórdios da paixão, quando tudo parece perfeito, esfuziante. Você se sente animadíssimo, mas na verdade não tem a mínima ideia de onde está se metendo. Resolveu aprender aramaico ou consertar turbina de avião? "Uau, tudo é tão novo e maravilhoso, tenho certeza que vai ser fácil, já vi várias pessoas fazendo e para mim vai ser moleza!"
Este estado pode durar de 1 semana a 2 anos.

Fase 2: Competência Baixa; Entusiasmo Baixo. Este é o momento no qual você se dá conta que seu par  vai ao banheiro como qualquer outro terráqueo, e que tem mais defeitos do que você imaginou. Você percebe que aramaico é difícil pra caramba, e que você mal conseguiu decorar o alfabeto inicial. E que raios você resolveu ser concorrente do setor de engenharia e mecânica da Embraer?
Este estado pode durar de 1 semana a 3 anos, dependendo do ponto em questão e da postura do indivíduo frente a esta fase. Notamos a discrepância entre as expectativas iniciais e a realidade da situação. É neste ponto que 80% das pessoas desiste, na maioria das vezes de forma inconsciente. Destas que desistem, 100% experimentarão um gosto amargo de fracasso na boca, e vão criar as justificativas mais ridículas e culparão qualquer um que aparecer na frente na tentativa de amenizar a sensação de derrota.
O único remédio para quem sucumbiu nessa fase é: Pare de encher o saco das pessoas ao seu redor com reclamações a respeito. Cresça e assuma a responsabilidade por ter desistido. Resolva consigo mesmo se quer continuar a levar sua vida de maneira medíocre ou se vai escolher algo que goste de fazer e ser bom nisso.

Fase 3: Competência Moderada; Entusiasmo Variável. Excelente, você conseguiu superar o desânimo sombrio que o atingiu na Fase 2 e insistiu em seu progresso. Na Fase 3, que dura no mínimo 2 anos, você consegue elaborar algumas frases em aramaico, ou consertar pequenos teco-tecos.
Você percebe de maneira relativamente clara que seu par tem qualidades e defeitos. Embora a relação não seja perfeita, você sabe que a pessoa ao seu lado contribui para seu bem-estar e que vocês podem crescer muito juntos.
Ou, pode ser que apesar dos seus esforços em construir uma relação alegre e saudável, a pessoa  insista em comportamentos incompatíveis com você. Seja infidelidade, violência, frieza, ignorância, vícios; ou qualquer outra coisa que você não estiver disposto a compreender, aceitar ou tolerar.
Este é o momento em que desistir conscientemente de uma empreitada que está dando errado, ou não traz satisfação pessoal, pode ser positivo. O importante é que você assuma responsabilidade imediata sobre o fato e saiba exatamente as consequências que isso pode trazer.
Se você está contente com o caminho trilhado e deseja progredir, desenrola-se a Fase 4.

Fase 4: Competência Alta; Entusiasmo Alto. Nesta fase obviamente não há desistências, e envolve muito trabalho - que agora você sabe exatamente como fazer - e produtividade. Tudo flui mais rapidamente, e com menos surpresas. Muitas pessoas acreditam erroneamente que a vida com menos surpresas é entediante. Na verdade, conhecer profundamente um assunto, uma tarefa, ou alguém traz tranquilidade, realização e crescimento. Um erro bastante comum nesta fase, que pode durar de 1 a 4 anos, é achar que você já sabe de tudo, ou que determinado objetivo ou pessoa já está conquistado de maneira permanente. Você está quase lá, mas a Fase 5 só é atingida e mantida com um segredo, revelado abaixo.

Fase 5: Missão Cumprida. Seu Objetivo, Tarefa, Habilidade ou Relacionamento pode ser mantido no ápice (como numa curva dose-resposta farmacológica) desde que você simplesmente continue empenhado e capaz, e não estagnado e desengajado. Alimente seus sentimentos e conhecimentos relacionados àquilo que você quer manter vivo.
Achou que era fácil? Não é tão difícil, mas é trabalhoso e por isso tem 5 etapas! Em próximos textos trataremos de pequenas dicas que podem facilitar a passagem por estas fases.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Coisas boas daqui e de acolá

Ahh, como Montreal é agradável quando as temperaturas estão acima de zero, com dias longos e ensolarados... Ou seja, de maio a outubro.
Estou adorando as árvores primaverís com suas tenras folhinhas verde-limão. Mas claro que o outono é mais dramático, com os tons de dourado a vermelho e as folhas de maple ao vento.
Do que mais vou sentir falta daqui? Do sistema de transporte, da segurança, de morar em frente a um lindo parque e do Rio Saint Laurent, de ouvir o som de praia vindo do Rapide de Lachine. Dos produtos alimentícios, de vestuário e tudo o mais de alta qualidade e preço justo. Até da neve e do inverno. É uma pena que seja tão longo (novembro a abril é muita coisa), tão frio e tão escuro.
Vou sentir saudade também de arroz basmati, chocolate Reese, bagel, poutine, maple syrup, castanhas glaceadas, batata Kettle, café do Dunkin Donuts, root beer, etc, etc...
Falando em comida, chegando no Brasil preciso comer por toda lei: pão de queijo, coxinha, churros de doce de leite, panqueca, cachorro quente de verdade (aquele de pão puro com salsicha e mostarda como os daqui não vale), feijoada sem coisa nojenta, bolinho de arroz, lasanha de berinjela da Célia, pamonha doce, blinas da minha madrinha, pudim da minha mãe, ... uau, a lista é bem maior do que eu imaginei! Vamos parar por aqui :)

sábado, 7 de maio de 2011

Árvores em Montreal tem calendário


O título acima representa a mais pura verdade. Foi impressionante, mas eu vi acontecer. Em 30 de abril (veja foto do post abaixo), nada de verde nas árvores. No dia seguinte, 1º de maio: puufff! Várias soltando brotos. E hoje, aqui em frente de casa como tenho documentado de praxe, a visão é esta mesmo: várias recobertas de lindas folhinhas recém-nascidas. Agora sim, viva a primavera!

sábado, 30 de abril de 2011

Lenta primavera


   Sempre pensei que a primavera fosse uma explosão de flores e verde, mas pelo menos aqui em Montreal, a coisa não é bem assim. Nada de verdes nas árvores por enquanto, embora as pessoas já tenham começado a plantar seus jardins em frente das casas. A temperatura está bem melhor agora, girando na faixa de 5 a 15 graus positivos. Em dias sem chuva como hoje, as pessoas lotam as ruas e os parques, todos felizes ao sol, tomando sorvete. Até eu comprei sorvete hoje, promoção de Ben & Jerry's no Loblaws por 4 CAD o pote de meio litro. Este de Chocolate Fudge Brownie é fantástico! Arrisco dizer que esta marca é a Haagen Dazs dos Estados Unidos, de tão boa. Quando eu e Vitão fomos para Burlington no fim de março, aqui pertinho de Montreal, mas do lado de lá  da fronteira, no estado de Vermont, estivemos na sorveteria oficial da Ben & Jerry's e quase visitamos a fábrica. Era bem próxima a Burlington, mas no dia estava um mega flurry (mix de chuva e neve) e desistimos. Diferente da Haagen Dazs, eles tem mais de 100 sabores, alguns deles mutcho lhoucos, veja aqui .

terça-feira, 5 de abril de 2011

We've Gotta Get Out Of This Place

Meu grupo favorito do período continua sendo The Beatles, mas esta música do The Animals é particularmente adequada.
De volta para casa no fim de maio, em contagem regressiva :-)



In this dirty old part of the city 
Where the sun refuse to shine 
People tell me there ain't no use in trying 
Now my girl you're so young and pretty 
And one thing I know is true 
You'll be dead before your time is due 
I know 

Watch my daddy in bed and tired 
Watch his hair been turning gray 
He's been working and slaving his life away 
Oh yes, I know it 
He's been working so hard 
I've been working too babe 
Every night and day 
Yeah yeah yeah yeah 

We gotta get out of this place 
If its the last thing we ever do 
We gotta get out of this place 
'Cause girl, there's a better life 
For me and you 

Now my girl you're so young and pretty 
And one thing I know is true, yeah 
You'll be dead before your time is due 
I know it 

Watch my daddy in bed and tired 
Watch his hair been turning gray 
He's been working and slaving his life away 
I know 
He's been working so hard 
I've been working too babe 
Every day baby 
Yeah yeah yeah yeah 

We gotta get out of this place 
If its the last thing we ever do 
We gotta get out of this place 
Girl, there's a better life 
For me and you 

Somewhere baby 
Somehow I know it baby 
We gotta get out of this place 
If its the last thing we ever do 
We gotta get out of this place 
Girl, there's a better life for me and you 
Believe me baby 
I know it baby 
You know it too 

sábado, 26 de março de 2011

Início de primavera


A primavera chegou e com ela dias um poucos mais longos (agora anoitece as 7 da noite e não as 4 da tarde), mas o frio continua (hoje ficou entre zero e menos 10) e o vento de fazer chorar e escorrer nariz também.
Hoje foi um daqueles raros sábados em que não trabalhei. WalMart pela manhã e cochilo a tarde. Estava precisando... Agora já passa das 10 da noite, hora de ir dormir de novo. Nighty-night!

quarta-feira, 2 de março de 2011

Endless winter...

E este frio que não tem fim?... Foto tirada hoje pela manhã em frente ao meu apartamento.
Sim, o tom mais onipresente desde novembro é este cinza-azulado-filme-de-terror. Não quero brincar mais :-(.

sábado, 27 de novembro de 2010

Sábado branco

Amanheceu tudo branquinho hoje. Fiz até um vídeozinho incrivelmente tosco sobre o acontecimento, que segue abaixo. O dia está cheio de variações: momentos de sol, momentos de neve caindo, momentos de vento soprando forte... clássico de Montreal.
Fui no WalMart pela manhã e arrisquei um caminho novo, pegando o ônibus 37. Andei por áreas até então por mim desconhecidas como o trecho Verdun-Jolicoeur que chega por trás em Angrignon. Bem bonito, cheio de casinhas com fachada em clapboard, que adoro. E é uma região cheia de russos e poloneses, pelo que vi em placas, igrejas e pelos traços de algumas pessoas que entraram no ônibus. Na volta peguei o metrô, e fui brindada com a presença de 4 elegantes senhoras de idade das quais eu não conseguia tirar os olhos. Tão lindas, tão familiares... quando elas começaram a conversar tive a explicação e meu encantamento dobrou: elas falavam russo. Que som gostoso tem esta língua!
Agora vamos voltar ao trabalho que a coisa não é fácil não...

domingo, 31 de outubro de 2010

Já nevou!

Ainda estamos em outubro, em pleno outono teórico, mas... sim, nevou ontem à noite!
O outono aqui em Montreal é normalmente curto, por conta da temperatura que cai bem depressa nesta época, e tudo indica que este ano teremos um inverno daqueles. É aguardar para conferir.
Por agora várias árvores já estão com carinha de inverno, tendo perdido todas as suas folhas.
Setembro a outubro abaixo:


Outono2010

domingo, 17 de outubro de 2010

Outono em Nova York

Eu não assisti a este filme, mas tive meu pedaço de outono em Nova York há alguns fins de semana atrás.
Conheci apenas Manhattan, e menina... aquilo é grande! E muito, muito movimentado. Milhares de pessoas, entre habitantes locais e turistas, num mar sem fim de agitação e taxis cor de laranja. Falando em taxi, experimentei do melhor ao pior: do negão consciencioso e ultra simpático ao motorista caladão e desonesto vindo do Oriente Médio .
Chegamos no dia em que o Presidente dos Estados Unidos (sim, o próprio! Barack Obama) estava fazendo uma conferência com mais um punhado de gente bam-bam-bam (e bum-bum-bum! também - o Ahmadinejad estava lá!) no prédio das Nações Unidas, por um feliz acaso ao lado do finérrimo hotel em que ficamos hospedados, o Millenium Plaza United Nations Hotel.
Não sei se você reparou acima, mas resolvi deixar este post chique e as palavras-chave podem ser clicadas e direcionadas para sites explicativos e/ou originais e/ou puramente absurdos e divertidos.
Voltando ao assunto... Então, Obama estava lá. E junto com ele toneladas de policiais, cães farejadores e agentes do FBI, com direito a montes de ruas fechadas ao trânsito e necessidade de inspeção dos transeuntes. Muuuuuito legal!! Quem me conhece sabe o quanto eu adoro filmes, seriados, comerciais e até panfletos impressos em papel de enrolar pão que tenham investigação policial/FBI.
Estou um pouco distraída hoje, vamos tentar voltar ao assunto novamente... A chegada em NY foi portanto bem emocionante. As compras por lá também (Macy's, Saks, Filene's, etc). De locais, amei o Metropolitan Museum of Art , a Times Square, o Central Park, Wall Street e o sermão do Rev. Dr. James Cooper na Trinity Church (que aliás podem ser assitidos online em retrospectiva no site da Igreja, no item Worship Webcasts). A igreja é muito bonita, e nossa, o cara sabe fazer um sermão atual, cativante e cristão. Não é aquela coisa chata de alguém ficar lendo algo totalmente monótono que você presta atenção apenas durante os 3 minutos iniciais da leitura. O trecho bíblico em questão no dia em que visitei este lugar incrível foi a respeito de uma das minhas parábolas favoritas: a de Lázaro que comia as migalhas que caíam da mesa do homem rico. O cara (o Reverendo) fez um bate-papo, com referências bíblicas + política, economia, televisão (ele citou o seriado Law and Order num contexto divertido e inteligente)... Enfim, não foi a primeira vez que assiti uma missa excelente nos Estados Unidos. Os cristãos sérios do Brasil têm muito o que aprender... Sinto muita falta de ir a algum lugar assim, que infelizmente ainda não encontrei aqui em Montreal. A maioria dos serviços religiosos aqui são em francês. Tomara que não demore para eu encontrar alguma coisa em inglês. Pode ser de qualquer religião, nem estou sendo exigente hehehehe...
Voltando a viagem para NY (de novo!). Acho que o melhor é dar um pouco mais de detalhes com as fotos. É só clicar no álbum.
Adoro os States! Mas não moraria em Nova York.

NY2010

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Banco bobo e feio

Não gosto mais do Royal Bank of Canada.
Fui pedir cartão de crédito para eles e eles disseram "não".
Entre os motivos (leia-se = desculpas esfarrapadas) eles citaram: você não é canadense e pode ir embora deixando contas a pagar a qualquer minuto; você é brasileira e o Brasil não está na lista de países confiáveis; você é estudante (subentenda-se = pobre).
Fiquei "p" da vida pois meu amigo Luciano, que também é tudo isso acima como eu (mas tem conta no Banque de Montréal), TEM cartão.
Em resumo:

p.s.: viva o Banco do Brasil!

sábado, 21 de agosto de 2010

Coisas que eu adoro e não adoro de jeito nenhum em Montreal

Vamos começar com as coisas boas... Acho que a maioria tem a ver com comida, como legítima apreciadora da boa mesa (e de porcarias também).

  • Häagen Dazs (sabor Dulce de Leche). Sim, também tem no Brasil, mas aqui custa 5 dólares, e no Brasil quase 20 reais, ou seja, aqui posso me jogar de cabeça e sem dor no bolso.
  • Bagels quentinhos com cream cheese... Por aqui são muito famosos os da Fairmont, e os da St. Viateur.
  • Yogurte de blueberry; geléia de blueberry; tudo de blueberry.
  • Panquecas doces com mapple syrup.


  • Restaurantes no shopping com enorme variedade, grandes porções e bons preços, como por exemplo um prato excelente de origem grega chamado Souvlaki.


  • Claro que não poderia deixar de citar o Poutine! O tradicional é uma porção de batata frita cheia de um queijo branco suave coberta com molho parecido com o madeira. As versões mais elaboradas, que eu prefiro, normalmente tem também carnes diversas. Uma maravilha!


  • Saindo do tópico comida, o transporte público aqui é muito bom.
  • Outra coisa é a segurança; acho mais seguro caminhar por aqui do que por Ribeirão Preto.
  • Há vários parques lindo por aqui, mas um dos mais imperdíveis é o Parc Mont Royal. Conheci-o no inverno, e agora no verão assustei-me com a inacreditável diferença. Absolutamente tudo o que era branco tornou-se verde. Muito bonito! Espero registrá-lo este ano também no outono (que ano passado praticamente não existiu, de tão rápida a transição entre calor e frio).

  • O trabalho. Apesar do clima de concorrência fortíssimo e da alta exigência, é bom estar num lugar onde tenho oportunidade de trabalhar com coisas que mal existem no Brasil.
  • O verão e o outono.

Agora o que é duro de aguentar:

  • Fins de semana. Porque tenho que inventar o que fazer, e ficar absolutamente sozinha o tempo todo não é tão fácil. Normalmente acabo trabalhando, lendo ou vendo seriados no computador. Ou indo a algum supermercado ou shopping. Ou caminhando em algum parque. Ainda não tive disposição para ir conhecer os pontos turísticos da cidade.
  • Os quebecois. Eles são grossos, mal-humorados, não respondem a sorrisos, normalmente só falam francês e te olham com desprezo se você fala em inglês. O restante da população local, como muçulmanos, judeus ortodoxos, indianos e orientais não se mistura muito, e entre eles parecem felizes e conversam em suas próprias línguas. Ao passar por eles sinto-me como uma criatura completamente invisível. Talvez seja apenas o jeito de ser das pessoas... Eu provavelmente estou me sentindo apenas solitária e com "Síndrome do Estrangeiro" ou algo parecido.
  • O inverno. Claro que eu adoro neve, mas passar meses abaixo de zero e com a noite caindo as 3 da tarde não é fácil. Principalmente quando o "abaixo de zero" significa de menos 20 pra pior e com um vento lancinante.
Enfim...

sábado, 7 de agosto de 2010

Linha verde x linha laranja do metrô de Montreal

Acordei bem cedo hoje, tomei café, e após lavar e secar minhas roupas nas máquinas a base de moedas do prédio (1.50 CAD a lavagem ou secagem) fui em direção à estação de metro McGill (meguíííle, em francês). São uns 4 quarteirões de distância. A manhã estava bem fresquinha (15ºC), e com o tradicional vento insuportável de pelo menos 30 Km/h que não pára de soprar nunca nesta cidade. Sem surpresa, vi incontáveis malucos fazendo sua corrida matinal. Estes mesmos indivíduos fazem sua corrida matinal inclusive em dezembro, quando está nevando até falar chega e a temperatura máxima é de menos vinte graus. Putz... :-\
Pausa para um comentário importante: hoje não vi ninguém semi-nu pelas ruas, que é o que costuma acontecer quando a temperatura está maior que 25ºC. Meninas de todas as idades (sim, mesmo as senhoras de mais de 50 anos) colocam shortinhos, vestidinhos ou saias cujo limite de comprimento é o útero; alguns senhores colocam suas camisas temáticas "Elvis no Hawaii", todos colocam chinelos, e assim invadem o espaço público, como se estivesse mesmo calor. Não esquecer que aqui venta. Sempre. Penso que ninguém sobreviveria no Brasil...
Retomando... Peguei o metrô na McGill Station, na chamada linha verde. Clicando na foto abaixo você poderá ver a figura ampliada de forma a apreciar o nome das estações (que aprendemos a pronunciar em francês na marra, graças ao sistema de som que canta o nome das estações ao parar nelas). O sistema de metrô de Montreal é bem grande, e funciona muito bem. Em horários de pico a espera média entre um metrô e outro é de 3 minutos, e aos fins de semana, quando a frequência é menor, chega a no máximo 10 minutos de espera.


Nos pontos onde uma cor se encontra com outra, são estações nas quais você pode mudar de linha. Como eu ia ao WalMart próximo a estação Namur, fui da estação McGill até a Lionel-Goulx, passei para a linha laranja e desci na Namur.
Uma coisa que dá para notar bem rápido é que na linha laranja há pessoas menos bonitas que na verde. Talvez porque a linha laranja passe por mais bairros com menor poder aquisitivo do que os da linha verde. Não posso opinar sobre a linha azul, pois ainda não conheço essa região.
Conheço o WalMart que fica próximo a estação Angrignon e este da Namur, e posso dizer tranquilamente que o WalMart da Namur é mais feio, maior, com corredores mais estreitos, mais cheio, tem mais opções e preços ainda melhores. E nos arredores do WalMart da Namur existe um belo aglomerado de outlets, além de Wendy's, Burger King, McDonalds, Subway, etc. Ou seja é um lugar que vale a pena ir se você quer bons preços.
A região de Angrignon é bem mais agradável do ponto de vista estético, tem muitos aposentados morando por lá e frequentando o shopping homônimo local, que tem Sears e uma praça de alimentação bem sortida, além de WalMart, Canadian Tire (ótima unidade, enorme!) e Future Shop (odeio esta rede). Outro ponto bonito da área é o Parc Angrignon, abaixo:


Namur, é mais cinza, com cara de área industrial, e com uma via expressa cortando o caminho entre a estação de metrô e as áreas de compras. Um perigo atravessar a Decarie Boulevard, muita atenção aos sinais de permissão para pedestres e faixas próprias para atravessar.


De volta ao metrô, pode acontecer de algum artista estar tocando ao vivo música clássica, ou como estes que achei gravação no YouTube, tocando uma excelente música judaica. É bonito de ouvir, mas sempre fico deprimida ao me deparar com estes artistas. A maioria toca muitíssimo bem, e é triste vê-los tocando para um público as vezes indiferente, e para ganhar algumas moedas...
O sistema de transporte de Montreal é excelente, e dá gosto ver as pessoas lendo no ônibus, no metrô, nas estações... É um clima bem tranquilo, sem aquele medo de assalto ao estilo paulistano. Os trens do metrô são antigos, mas li uma reportagem que relata uma troca total para logo (data indefinida).


Caso seja preciso pegar um ônibus, fique atento aos horários, pois atrasos são raríssimos. Há muitos pontos e muitas linhas, e todas as rotas e horários estão disponíveis no site da STM (http://www.stm.info/english/a-somm.htm).


Uma coisa que acho genial aqui também é o sistema do Opus Card, um cartão magnético que você recarrega com passes válidos para a semana (de segunda a domingo, 21.50 CAD), ou para o mês (1 a 31, 70 CAD). Dentro da semana ou mês para o qual você "abasteceu" seu Opus, é possível pegar quantos ônibus ou metrôs você quiser. Fantástico! Em toda entrada de ônibus ou estação do metrô há um leitor magnético para você passar seu Opus Card e liberar sua passagem. Este cartão pode ser comprado em farmácias como a Pharmaprix ou em qualquer estação de metrô por 7 dólares canadenses, e recarregado quando necessário nestes mesmos locais.
Pois é, tem muita coisa interessante por aqui.

sábado, 31 de julho de 2010

Mudei de studio!

Finalmente saí da kitchinete horrível, escura e decadente em que passei péssimos 15 dias aqui em Montreal. Nem tirei fotos dela para não ter más recordações. Em resumo, era no andar térreo de um prédio meio antigo (digo "meio" querendo dizer possivelmente década de 50 - existem coisas incrivelmente mais antigas por aqui já que a cidade existe desde 1642, e claro a maioria em excelente estado de conservação)... retomando: o problema que mais me incomodava era o fato da janela dar direto para calçada, e bem ao lado da entrada do prédio, onde todos os moradores fumantes dos 10 andares vinham "pitar". Considerando que fumar é o esporte preferido (depois do hockey no gelo) do povo desta cidade, bastava abrir um tiquinho da janela para o cubículo ser empesteado de fumaça. E se deixasse a janela fechada morreria sufocada e de calor. Uma beleza.
Reclamei logo na primeira noite com a empresa que administra estes studios, o pessoal da Studio Meuble Montreal. Graças ao bom Senhor eles disseram que poderiam me arrumar outro studio num andar mais alto, no mesmo prédio. E o dia foi hoje! Este que estou agora é no sexto andar, e incomparavelmente melhor! :-)
Até tirei fotos, pois agora vale a pena. Ou seja, é bom negócio alugar com eles - para quem precisa de um lugar mobiliado numa localização fantástica (10 minutos porta a porta do MNI, 3 quarteirões de 2 supermercados grandes, 10 minutos do metro McGill, dos shoppings Eaton Centre e Promenades Catedrale, etc...), mas o importante é saber exatamente qual studio eles estão oferecendo. Ver antes é sempre o melhor negócio. Pena que é tão caro.
Fico aqui até o fim de agosto e então me mudo para Verdun, o bairro que mais adoro em Montreal! Vou morar no apartamento do Luciano, do ladinho do Douglas Hospital. Vai ficar um pouco longe do MNI (uns 45 minutos de ônibus fácil) mas o lugar vale muito a pena. É de frente para o Rio Saint Laurent e do parque George O'Reilly, espaçoso, mobiliado com design escandinavo (Ikea), um sonho!...
Assim que eu gosto, só melhorando!
Abaixo, fotos da nova kitchi e um pouco do verão montrealense.


Montreal, julho2010

sábado, 24 de julho de 2010

Burger King: amo muito tudo isso!


Pode parecer herético colocar o slogan do McDonalds no Burger King mas... não tem como não gostar do Burger King, especialmente aqui, com preços maravilhosos, e com a minha promoção favorita, o Burger King of the day:

Adoro o de domingo, o de segunda, o de quarta então... o de sexta inclusive foi meu almoço... Enfim, todos são ótimos. Só não dá para ir na quinta-feira pois o negócio é tão picante que faz sair lagriminhas dos meus olhos. Mas para quem gosta de uma pimenta, é um prato cheio.
Se voce quiser o combo (que aqui chamam de trio) do sanduíche do dia + bebida (refrigerante/suco/ice tea/root beer (consulte meus posts antigos para saber mais sobre esta bebida fascinante)/fruitopia [http://en.wikipedia.org/wiki/Fruitopia]) + batata frita ou onion rings fica tudo em felizes 4.96 CAD$, já incluindo taxas/impostos.

Três observações importantes:
1) todos os preços anunciados na America do Norte - seja em sites, propagandas, lojas, etc - são preços SEM impostos. Com raras exceções (em alguns itens de supermercado), tudo o que você comprar terá no preço final a adição de impostos locais. E aqui, TODOS pagam impostos. No estado do Quebec, a tudo o que você comprar então serão adicionados os únicos dois impostos existentes pra itens de consumo (no Brasil pagamos dezenas e nem sabemos, pois não vem discriminado na conta): o imposto do Governo Canadense (no valor de 5% da compra) e o imposto do Estado do Quebec (no valor de 7,5%), ou seja, num produto de 100 dólares, você vai pagar no caixa 112,50 dólares.
2) Nos Estados Unidos, praticamente todos os Burger Kings e McDonalds tem free refil de bebidas. Aqui em Montreal não. Basta ficar atento: se a máquina de refrigerantes estiver para dentro do balcão de atendimento, não é free refil. Fácil né! Daí você terá que se contentar com seu copinho de "apenas" 500 mL de refrigerante, que é o tamanho P daqui.
3) O cotonete daqui é horrível. É como se você resolvesse pegar um palito de dente Regina, envolvê-lo com uma quantidade ridícula de algodão e enfiar no ouvido: morte certa! Ou seja, traga na mala milhares de cotonetes fofinhos do Brasil.

É isso. Num outro momento falarei de mais coisas maravilhosas daqui como iogurte de blueberry, bagels quentinhos com cream cheese e Haagen-Dazs de doce de leite. Agora vou trabalhar.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

No mundo de Snoopy



Sabe quando aparece um adulto falando com o Snoopy e seus amiguinhos humanos no desenho animado?
É exatamente o que eu ouço todos os dias ao sair nas ruas de Montreal...
No ônibus é pior ainda, o efeito se amplifica.
De resto, chuva, calorzinho, bastante trabalho e vontade de ir embora.
Em setembro devo me mudar para um lugar (espero que muito) melhor do que este que estou agora. Mais uma vez, uma lembrança vital: nunca feche negócio antes de ver/testar o produto.

Why can't we get all the people together in the world that we really like and then just stay together? I guess that wouldn't work. Someone would leave. Someone always leaves and then we have to say good-bye. I hate good-byes. I know what I need. I need more hellos.
Charles Schulz
Snoopy in Peanuts

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Encantada!


O inacreditável aconteceu: resolvi 3 grandes problemas burocráticos numa só manhã. Sim, eu disse numa só manhã.

Detalhemos então os objetivos e o que aconteceu. Precisava de 3 coisas:

1) Ir até o escritório do governo canadense denominado “Canada Service” na 200 René-Levesque Boulevard para me inscrever e obter meu Social Insurance Number; horário de funcionamento do local: das 8:30 as 16:30. Previa algo como o nosso bom Poupatempo.

2) Ir até o escritório do departamento de saúde do estado do Quebec denominado “Régie de l'assurance maladie du Québec” na 425 Maisonneuve Ouest para me inscrever e obter meu Medicard/Health Insurance; horário de funcionamento do local: das 8:30 as 16:30. Previa algo como o nosso terrível SUS.

3) Ir até o Royal Bank of Canada na Avenue du Parc e abrir uma conta o mais simples e isenta de taxas possível, considerando que não tenho endereço fixo, não tenho histórico de gastos no Canadá e sou estrangeira; horário de funcionamento do local: das 9:00 as 16:00. Previa algo como o nosso razoável Banco do Brasil.

Imaginei que isso me tomaria o dia todo, e mais talvez a manhã de amanhã. Saí do hotel às 7:30 e passei no Tim Hortons para tomar um café e um iogurte com strawberry, blueberry, cranberry, raspberry e blackberry (3.44 CAD$ - que roubo! Amanhã vou no McDonalds pegar um café e um muffin por 2 dólares).

Resolvi seguir a ordem que descrevi acima, já que sem o número do seguro social não se faz cartão de atendimento médico nem se abre conta em banco. Caminhei cerca de 1,5 Km e cheguei ao Canada Service 15 minutos antes do horário de abertura. Minha nossa, que lugar lindo, cheio de portas e paredes em vidro! Veja abaixo que o Poupatempo ainda tem muito o que aprender, tanto em aparência quanto em eficiência e atendimento.

Cerca de já 10 pessoas aguardavam em fila a abertura da porta de vidro. 50% muçulmanos, 30% indianos e 20% outros. 5 minutos antes da abertura vi que os funcionários já se dirigiam a seus postos e 3 deles se posicionaram próximos à porta. Exatamente às 8:30 um senhor abriu a porta e fez aquele cerimonial gesto com a mão de “pode entrar, seja bem vindo”. Ele e mais 2 funcionárias, após um sorridente bon jour direcionaram um a um dos que estavam na fila para a seção desejada (este local faz trocentas coisas mais além do Social Insurance Number). Na minha vez, 57 segundos após a abertura das portas, fui apresentada a Evelyn, que foi minha atendente oficial. O atendimento durou pouco mais de 15 minutos, que passaram rápidos como num bate-papo de amigos. Ela levantou todos os meus dados, digitou com rapidez, não errou meu sobrenome e enquanto digitava os formulários preenchia o tempo com comentários alegres sobre a temperatura e a cidade, perguntando sobre as praias do Brasil, e dando graças a Deus que o verão em Montreal era curto, senão toda a economia do país estaria perdida, pois nesta época todos ficavam exauridos, resfolegantes e improdutivos com o calor terrível e a alta umidade. Eu rí, e todo o universo fez sentido para mim por alguns instantes.
Próximo passo, “Régie de l'assurance maladie du Québec” no terceiro andar deste edifício na 425 Maisonneuve Ouest. Local não tão bonito por dentro, bem mais cheio de gente mas extremamente eficiente por conta de um sistema de senhas rápido e atendentes capazes.

Fiz cadastro inicial, entrevista, tirei foto para o cartão e recebi meu formulário em cerca de 30 minutos. Pronto! Próximo passo, Royal Bank of Canada.
Você, brasileiro, já viu um banco sem filas? Eu também não conhecia, esta foi a primeira vez. Cheguei e a recepcionista (sim, acredite) deu-me boas-vindas sorridente e perguntou em que ela poderia me ajudar. Eu disse que queria abrir uma conta. Ela anotou meu nome completo (sem errar!) e me pediu para aguardar 10 minutos numa área de sofás. Sentei-me e 5 minutos depois um moço chamou-me de Senhorita “meu sobrenome” (de novo, sem errar!!) e convidou-me para acompanhá-lo a sua sala. Ofereceu-me água e me informou que toda nossa conversa e qualquer dado que eu fornecesse seria mantido confidencial e que o Royal Bank of Canada (RBC) não compartilhava nada com nenhum outro banco nem com a torcida do flamengo. Que coisa bonita de se falar e ganhar automaticamente a confiança total e irrestrita da pessoa. Genial!

Resumindo, Jan (nome do meu personal gerente RBC) passou 1 hora e 40 minutos inteiramente dedicados a minha loira pessoa. Explicou-me em detalhes íntimos TODOS os tipos de conta disponíveis ao meu perfil de limite de movimentação finaceira, explicou-me o porque de cada item que poderia gerar taxas extras e me informou TUDO o que estava incluso ou não na conta indicada ao meu perfil (basic account ou conta de pobre). Ele também me ensinou como entrar e operar via RBC online banking. Entendi em profundezas inimagináveis que checking account é como uma conta corrente e savings account é como uma poupança. Sei de TODAS as taxas adicionais que posso pagar caso ultrapasse um determinado número de movimentações financeiras, ou se sacar fora de um caixa do RBC e até sobre coisas que nem vou ter, como cheques em papel.
Sou cliente do Banco do Brasil há mais de 10 anos e sabe quando alguém me falou em valor de tarifas extras, o que cobra e o que não cobra, ou mesmo valores de taxa bancária mensal sem que eu precisasse perguntar mais de uma vez? NUNCA.
Também ganhei um cartão dele com 3 telefones e uma pasta contendo por escrito tudo o que conversamos. Jan Sauvé-Frankel, the best account manager that I ever met!
Tudo isso numa manhã. Almocei no St. Hubert (coleslaw, canja [que eles chamam de rice soup] e chicken salad: 6.49 CAD$) e agora a tarde vou estudar para no fim do dia ir para o MNI.

E não é que isso está indo bem?! A teoria ludmyliana comprovada do dia é: verão (pelo menos o daqui) faz bem para o psiquismo.

Verão em Montreal


Voltei. Agora no verão. Bem mais alegre (e claro, quente) que no outono-inv(f)erno.
Estou provisoriamente no Hotel Quality Downtown, este da foto aí de cima. Simples, limpo, confortável e com bom preço. E o chuveiro é um sonho!
A viagem foi bastante cansativa, mas o serviço da Air Canada é muito bom. O que tomou um tempo gigantesco foram as filas idem em São Paulo: fila no check in em Guarulhos (2 horas); fila para a área de embarque (1 hora); fila para alfândega brasileira (1 hora). Ainda bem que fui com muita antecedência para o aeroporto, pois mal tive tempo de ligar para os meus pais e já estava na hora de embarcar. Talvez os fatores férias escolares + fim de semana também tenham ajudado. Ou seja, para quem for viajar neste período, vá com umas 5 horas de antecedência para o aeroporto nacional, e reserve pelo menos 3 horas de intervalo para escalas internacionais. Na escala em Toronto resolvi tudo (alfândega, setor de imigração, pegar malas, despachar malas de novo) em 2 horas e meia - isso porque corri muito e estava entre as primeiras da fila.
Enfim, ontem fui dormir as 6 da tarde em hora local (7 da noite no Brasil). Acordei antes das 2 da madrugada por alguns momentos mas depois voltei a dormir até agora a pouco, 6 da manhã.
Ah! Como amanhece cedo! Creio que amanheceu por volta das 5. Super cool.
Hoje tenho que resolver trocentas coisas burocráticas e lá pelas 18:30, 19hs, reunião com minha supervisora. It's gonna be a long day.